Hoje, meu objetivo é apresentar o pensamento estratégico de longo prazo e os temas que deverão ser protagonistas no novo ciclo estratégico da saúde brasileira. Esse levantamento não é exaustivo, mas trata dos principais temas que deverão impactar o mercado de saúde devido às mudanças estruturais que causam. Outro ponto importante é notar que essas mudanças não são exclusivas do sistema de saúde brasileiro (público ou privado), mas sim de temas que têm sido amplamente debatidos em todo o mundo e outros que são mais marcantes à realidade nacional.
Cada ponto da história é um cruzamento. Uma única estrada percorrida leva do passado ao presente, mas uma série de caminhos se bifurca em direção ao futuro. Alguns desses caminhos são mais largos, mais planos e mais bem sinalizados, e, por isso, há uma chance maior de que sejam seguidos… [1]
[1] HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. Tradução de Janaína Marco Antonio. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
O caso do NHS retratado na primeira publicação dessa série (Planejamento Estratégico: Um novo ciclo de desenvolvimento para o setor de saúde) é um bom exemplo de pensamento estratégico de longo prazo. Trata-se de um plano com mudanças estruturais significativas e com prazo de execução de 10 anos. Esse planejamento foi construído com base na leitura atual que se tem do futuro, porém, não há caminho linear ou imutável, mas sim um sistema que se retroalimenta com novas informações e decisões à medida que o futuro se realiza.
O planejamento estratégico nasce do diagnóstico criado a partir das melhores informações disponíveis hoje e, principalmente, da definição de onde queremos chegar. Nesse sentido, apesar das inúmeras mudanças que possam acontecer no cenário externo, temos um norte e vamos navegando pelas incertezas e mudanças rumo ao nosso objetivo final. O futuro da saúde suplementar implicará mudanças estruturais e essas mudanças no geral levam tempo para implementação.
Retomando o caso do NHS, como exemplo, o diagnóstico está bem estabelecido e o destino também:
“Construiremos um NHS verdadeiramente moderno que oferece o melhor e mais rápido tratamento para os pacientes e oferece aos contribuintes um melhor custo-benefício“. Keir Rodney Starmer Primeiro Ministro do Reino Unido.
A definição de ambições claras no planejamento estratégico é essencial para que resultados possam ser alcançados e a execução cascateada para toda a empresa.
Movimentos que definirão o mercado
Os movimentos que irão pautar o futuro do mercado de saúde se referem a mudanças estruturais, que já estão ocorrendo em diferentes pontos da cadeia de valor: operadoras, recursos assistenciais, indústria farmacêutica, órgãos regulatórios, entre outros. A seguir, vou apresentar os principais itens que já estão sendo endereçados.
Medicina baseada em valor: centralidade no paciente, mudanças no modelo assistencial e modelos de remuneração
Value-Based Healthcare (VBHC): prioridade na entrega de valor para os pacientes com foco nos melhores resultados clínicos em relação ao custo do cuidado (custo efetividade). O paciente está no centro da atenção, há integração entre prestadores e fontes pagadoras, bem como demais participantes da cadeia de valor e pagamentos baseados em resultados.
Centralidade do cliente: cuidado centralizado no cliente, priorização da experiência e entrega de valor: saúde contínua, qualidade de vida, bem-estar (wellness) e longevidade;
Modelo assistencial: transição do tratamento de doenças por episódio e de maneira reativa para modelos proativos e preventivos com foco na saúde contínua. Temas como atenção primária à saúde (APS), descentralização dos atendimentos (telemedicina, centros de atendimento ambulatórias, farmácias), monitoramento por meio de wearables, entre outros;
Modelos de pagamento: modelos que valorizem a entrega de valor e o compartilhamento de riscos.
Medicina de precisão e novas drogas: a indústria farmacêutica tem acelerado o lançamento de novas drogas e novos tratamentos, por exemplo, com a utilização de terapias gênicas. Os focos de atuação incluem doenças autoimunes e neurodegenerativas, oncologia e doenças crônicas. Além disso, o uso de dados clínicos com avaliação do perfil genético individual para oferecimento de diagnósticos e tratamentos com melhores resultados;
Transformação digital e uso de inteligência artificial: utilização de tecnologia, como a inteligência artificial, para aperfeiçoar processos, reduzir burocracias, maior eficiência operacional, melhoria de diagnósticos, redução de glosas, melhoria do ciclo de receitas, busca de insights de melhoria a partir da análise de bancos de dados, entre outros usos;
Parcerias e modelos de financiamento: as formações de parcerias com foco no compartilhamento de riscos e ganhos de economia, eficiência e qualidade na saúde também têm ganhado espaço. Essas parcerias, no geral, apresentam potencial de redução de capex, o direcionamento de demandas para atendimento em troca de know-how assistencial, reduções de custos e até mesmo de fraudes. Essas parcerias precisam ser bem estruturadas com foco em um modelo ganha-ganha de longo prazo.
Esses temas tratam de mudanças significativas que, de um lado, geram benefícios importantes para os pacientes, mas, de outro, preocupam por possíveis implicações na sustentabilidade econômico-financeira das fontes pagadoras.
A implantação de parte destas mudanças implica em mudanças significativas e que enfrentarão barreiras técnicas para implantação, necessitarão de fontes de financiamento e mudanças culturais dos beneficiários e da forma de pensar das instituições que fazem parte deste mercado.
O sistema de saúde evoluirá. Assim, deixo uma pergunta para sua reflexão: Você participará destas mudanças desde já ou irá esperar que tudo siga como antes?
Participe do nosso evento online: exclusivo para membros do XVI News

Para endereçar os principais tópicos do próximo ciclo estratégico da saúde, organizei uma palestra online sobre o tema no próximo dia 06 de novembro (quinta-feira), às 10h (de Brasília). Você deveria considerar a participação neste evento dada a riqueza de informações e de insights que serão compartilhados. Além disso, trarei uma série de pontos que deverão pautar a construção do planejamento estratégico da sua empresa para a próxima década.
Reforço que este será um evento fechado a um grupo de profissionais que realmente queiram fazer parte do novo momento da saúde suplementar e repensar o futuro. Se você faz parte deste grupo, seja membro do XVI News para receber o link e inscreva-se já.
Um abraço!
Dr. Ulisses Rezende
Sócio e Diretor de Negócios da XVI Finance