Quase metade das empresas de saúde (45%) está com suas iniciativas digitais e projetos de inteligência artificial prejudicados ou completamente travados por um motivo crítico: a incapacidade de acessar 100% dos dados necessários espalhados por seus diferentes ambientes. A constatação é da pesquisa The Data Readiness Index 2026, realizada pela Cloudera, e acende um alerta sobre a real maturidade tecnológica do setor. Embora o uso de IA promova a redução de custos assistenciais, a personalização do engajamento com pacientes e a inteligência preditiva para evitar internações e reinternações desnecessárias, a falta de acesso integral aos dados impede que essas soluções saiam do papel e entreguem valor real à operação.
A saúde é reconhecida historicamente como um dos ambientes regulatórios mais rígidos do mundo para gerenciar e governar dados, uma vez que as Informações Pessoais de Saúde (PHI) exigem proteção máxima à privacidade do paciente. Com a explosão das ferramentas e modelos de IA, a complexidade dessa gestão aumentou drasticamente, revelando que a maioria das instituições ainda não possui a base de prontidão de dados indispensável para operacionalizar a IA em larga escala.
O Paradoxo da Visibilidade: Por que Saber Onde o Dado Está Não Significa ter Governança
Um dos pontos mais reveladores do estudo da Cloudera é a profunda desconexão entre a percepção de controle das lideranças e a governança efetiva exercida sobre os dados no dia a dia. A pesquisa apontou que 87% das organizações de saúde acreditam ter visibilidade completa de onde seus dados residem, uma confiança explicada pelo fato de lidarem com ecossistemas altamente regulados e distribuídos entre prontuários eletrônicos (EHRs), exames de imagem médica, pesquisas clínicas e sistemas operacionais e financeiros.
No entanto, saber em qual servidor ou ambiente de nuvem um banco de dados está localizado não equivale a ter dados limpos, catalogados, padronizados e seguros para uso. Apenas 13% das empresas de saúde afirmam que todos os seus dados são totalmente governados. Outros 53% relatam governança parcial, o que significa que mais de um terço das instituições opera com brechas que deixam informações cruciais expostas ou desautorizadas.
Na prática, essa lacuna faz com que dados sensíveis fiquem sujeitos a riscos de conformidade regulatória ou cheguem sem o devido tratamento aos modelos de IA. Como destaca Rameez Chatni, Diretor Global de Soluções de IA para Saúde da Cloudera, assumir premissas precipitadas sobre os próprios dados gera prejuízos financeiros diretos: algoritmos alimentados por dados sem governança geram análises imprecisas, aumentam o risco de viés e comprometem o retorno sobre o investimento (ROI) dos projetos tecnológicos no futuro.
Gargalos de Infraestrutura: Como o Desempenho Tecnológico Trava a Operação
A falta de prontidão de dados também reflete limitações estruturais profundas nos sistemas e na arquitetura de tecnologia das instituições. Na pesquisa, 28% (quase 1 em cada 3) das empresas de saúde apontam o desempenho da infraestrutura atual como um entrave direto e constante às suas iniciativas operacionais de dados e IA.
Esse gargalo de infraestrutura ocorre em grande parte pela tentativa de aplicar soluções genéricas a um setor extremamente complexo. Para suportar o volume massivo de informações, 55% das empresas de saúde planejam aumentar seus investimentos em nuvem. Contudo, mover grandes volumes de dados regulamentados de saúde para um único ambiente de nuvem pública é um processo frequentemente impraticável, caro e difícil de governar sob as leis de proteção à privacidade.
Como resultado dessa rigidez estrutural, surgem barreiras operacionais que paralisam os times de inovação e tecnologia:
- Presença de silos de dados: 27% das organizações de saúde relatam que a existência de dados isolados em silos impede que as equipes colaborem, compartilhem, gerenciem e utilizem as informações de forma eficaz.
- Processos complexos de acesso: 45% dos entrevistados afirmam que requisitos e burocracias de acesso excessivamente complicados atuam como uma barreira direta ao uso prático dos dados pelas equipes.
Mesmo que 80% das instituições declarem que sua infraestrutura está pronta para suportar dados estruturados e não estruturados, a incapacidade de integrar e processar esses dados em tempo real arrasta o desempenho da operação e inviabiliza a escala de ferramentas preditivas.
Liderança, Alinhamento Estratégico e a Responsabilidade do CIO
A construção da prontidão de dados na saúde vai além da aquisição de softwares; trata-se de um compromisso cultural, estratégico e de alinhamento executivo. O estudo da Cloudera mostrou que 91% dos entrevistados afirmam que a alta administração entende e prioriza a infraestrutura de dados necessária para viabilizar a IA em larga escala. Além disso, para 68% das organizações, a responsabilidade final por garantir essa prontidão cabe diretamente ao CIO (Chief Information Officer) ou ao CTO (Chief Technology Officer).
Apesar desse respaldo na cúpula, ainda há incerteza no planejamento estratégico. Embora 76% acreditem ter uma estratégia de dados muito bem definida, o setor de saúde apresentou o maior índice de incerteza da pesquisa comparado a outras indústrias, com 24% admitindo que sua estratégia é apenas “razoavelmente” bem definida. Sem uma diretriz clara, investimentos em nuvem e ferramentas de inteligência artificial continuam gerando iniciativas fragmentadas que fracassam ao tentar entrar na rotina operacional.
Como Superar a Lacuna de Prontidão e Garantir o Sucesso da IA na Saúde
Apesar dos desafios atuais de infraestrutura e governança, o otimismo do setor permanece elevado: 86% das organizações de saúde declaram estar muito confiantes de que sua infraestrutura de dados atual conseguirá suportar suas prioridades estratégicas nos próximos dois a três anos.
No entanto, atingir esse nível de maturidade exige mudar a abordagem do investimento tecnológico. O sucesso da transformação digital não será determinado pela contratação rápida de modelos de IA chamativos, mas sim pela capacidade de estabelecer controle, visibilidade e governança completa sobre todos os dados da instituição, onde quer que eles estejam armazenados.
Conforme analisa Rameez Chatni, para escalar a inteligência artificial com segurança e eficiência econômica, os provedores de saúde precisam da flexibilidade de levar a IA aos dados governados, aplicando análises avançadas diretamente em data centers locais, ambientes de nuvem híbrida ou infraestruturas de borda (edge). Sem essa base sólida de governança, controle e integração, os projetos continuarão esbarrando em custos elevados, silos operacionais e no travamento das iniciativas digitais.
Participe do nosso evento online e gratuito

A transformação digital e o uso de Inteligência Artificial (IA) na saúde exigem mais do que apenas adotar novas tecnologias. O grande desafio atual para as instituições é conseguir transformar dados brutos em inteligência de negócios acionável, diferenciando inovações reais de soluções superficiais de mercado.
Por isso, no dia 27 de agosto (quinta-feira), às 10h, o Dr. Adriel Branco, Sócio e Diretor de Gestão da XVI, conduzirá um evento online, ao vivo e gratuito sobre Transformação Digital e IA na Saúde: Dos Dados à Decisão Estratégica, ao lado dos fundadores da Ockham AI, André Oliva e Luís Molina.
Neste encontro, nós iremos mostrar como transformar dados em decisões que protegem o caixa e a operação da sua instituição. No evento, vamos abordar, entre outros temas:
- Estratégia de Transformação: Como estruturar um roadmap prático de transformação digital e IA na sua instituição, diferenciando inovações reais de soluções superficiais de mercado;
- Inteligência de negócios: Estratégias para transformar dados brutos em inteligência acionável, prevendo sinistros e sustentando a transição para a Medicina Baseada em Valor;
- Governança e Riscos: O impacto prático da Agenda Regulatória da ANS (2026-2028) e a importância da governança e segurança de dados para mitigar riscos operacionais;
- Automação de Análises: O lançamento exclusivo do novo BI da XVI Finance, desenvolvido em parceria com a Ockham AI para automatizar a análise financeira e de mercado da saúde suplementar.
É um evento online e gratuito, mas com vagas limitadas. Garanta sua vaga agora mesmo clicando aqui.