A saúde suplementar brasileira encerrou setembro de 2026 mantendo patamares consolidados de cobertura em todo o país. Segundo os dados oficiais da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o setor registrou 53.108.097 beneficiários na assistência médico-hospitalar e atingiu o topo histórico de 37.383.196 contratos ativos na modalidade exclusivamente odontológica.
Os números retratam um mercado de assistência médica em patamar de estabilidade mensal, contrastando com a rápida expansão do segmento dental. Mesmo diante dos custos assistenciais elevados e de regras rígidas de reajuste, o plano de saúde preserva seu papel prioritário no orçamento familiar e nas políticas de benefícios corporativos.
O ritmo do setor em 12 meses: sustentação médica e expansão odontológica
Em 12 meses (setembro de 2025 a setembro de 2026), a assistência médico-hospitalar incorporou 439,4 mil novos vínculos (+0,83%). Na comparação direta com agosto de 2026, o segmento registrou estabilidade técnica, com variação de 0,02% (+8,8 mil vidas).
Já o segmento odontológico manteve forte ritmo de expansão: cresceu 0,52% no mês (+194,1 mil contratos) e acumulou uma expressiva alta de 7,01% em 12 meses, somando 2,45 milhões de novas vidas.
Balanço Geral de Beneficiários (Set/25 vs. Set/26)
| Modalidade de Cobertura | Setembro/2025 | Setembro/2026 | Variação (12M) | Variação (%) |
| Assistência Médica | 52.668.658* | 53.108.097 | +439.439 vidas | +0,83% |
| Exclusivamente Odontológico | 34.929.114* | 37.383.196 | +2.454.082 vidas | +7,01% |
Fonte: SIB/ANS (Setembro/2026). *Dados sujeitos a revisões retroativas das operadoras.
Desempenho por operadora: Amil lidera adições líquidas e Hapvida registra maior retração
Um levantamento do Citi com base nos dados da ANS revela forte disparidade entre as grandes operadoras em setembro. A Amil liderou as adições líquidas na assistência médica com 38 mil novas vidas, seguida por SulAmérica (+26 mil), Porto Saúde (+18,3 mil), Central Nacional Unimed (CNU) (+11,4 mil) e Bradsaúde (+9 mil).
Na ponta oposta, a Hapvida manteve a trajetória de retração, registrando a perda de 82 mil usuários no mês, o que eleva a redução para 163 mil vínculos a menos no acumulado do terceiro trimestre. A Unimed-BH também encerrou o período em queda, com recuo de cerca de 2 mil vidas.
Saldo Líquido de Beneficiários na Assistência Médica (Setembro/2026)
| Operadora | Saldo no Mês (Vidas) |
| Amil | + 38.000 |
| SulAmérica | + 26.000 |
| Porto Saúde | + 18.300 |
| Central Nacional Unimed (CNU) | + 11.400 |
| Bradesco Saúde | + 9.000 |
| Unimed-BH | – 2.000 |
| Hapvida | – 82.000 |
(Fontes: SIB/ANS / Compilação Citi)
No segmento exclusivamente odontológico, que avançou 194 mil membros em todo o país, a dianteira também foi ocupada pela Amil, responsável pela adição líquida de 48 mil novos contratos corporativos e individuais.
Giro contínuo de carteiras: 15,9 milhões de adesões médicas e evento atípico na odontologia
A estabilidade líquida da assistência médica esconde uma rotatividade constante. Nos últimos 12 meses, o setor apurou 15,95 milhões de adesões contra 15,52 milhões de cancelamentos, fixando a taxa anual de rotatividade (turnover) em 29,47%. Na prática, quase um terço dos vínculos médicos do país mudou de plano ou operadora ao longo do período.
No segmento odontológico, a taxa bruta de rotatividade atingiu 63,03% em 12 meses (24,46 milhões de entradas contra 22,01 milhões de saídas). Contudo, o indicador foi inflado pela transferência da carteira da Bradsaude para a Mediservice, que movimentou cerca de 9 milhões de vidas. Excluindo essa operação societária, a rotatividade real do segmento fica em 37,11%, em linha com o padrão histórico da modalidade.
Planos empresariais sustentam quase três quartos do mercado
A dinâmica do setor permanece concentrada no canal corporativo. Os planos coletivos empresariais respondem por 73,41% dos usuários médicos (38,98 milhões) e 74,95% dos contratos odontológicos (28,01 milhões).
Beneficiários por Tipo de Contratação (Setembro/2026)
| Tipo de Contratação | Assistência Médica | Part. Médica (%) | Exclusivamente Odontológico | Part. Odonto (%) |
| Coletivo empresarial | 38.988.679 | 73,41% | 28.018.247 | 74,95% |
| Individual ou familiar | 8.302.157 | 15,63% | 5.849.069 | 15,65% |
| Coletivo por adesão | 5.794.745 | 10,91% | 3.514.058 | 9,40% |
| Não identificado | 22.471 | 0,04% | 1.756 | 0,005% |
| Total Geral | 53.108.097 | 100,00% | 37.383.196 | 100,00% |
Fonte: SIB/ANS (Setembro/2026).
Enquanto os planos empresariais cresceram 1,92% em 12 meses na medicina e 8,31% na odontologia, as modalidades individuais recuaram 2,99% no segmento médico. Os contratos coletivos por adesão apresentaram leve queda anual na assistência médica (-0,65%), mas avançaram 7,03% na odontologia.
Desempenho Regional e Evolução nos Estados
No acumulado em 12 meses, 14 das 27 unidades federativas registraram alta no número de beneficiários de planos médico-hospitalares.
O mercado mantém sua concentração histórica nas praças de maior peso econômico, conforme aponta o ranking dos maiores estados:
Maiores Unidades Federativas por Volume de Vínculos (Set/25 vs. Set/26)
| UF | Médica (Set/25) | Médica (Set/26) | Odonto (Set/25) | Odonto (Set/26) |
| São Paulo (SP) | 18.426.282 | 18.709.845 | 11.655.261 | 12.537.045 |
| Minas Gerais (MG) | 5.859.602 | 5.895.238 | 3.053.440 | 3.295.795 |
| Rio de Janeiro (RJ) | 5.555.051 | 5.587.300 | 3.968.459 | 4.329.458 |
| Paraná (PR) | 3.188.927 | 3.215.309 | 2.015.817 | 2.116.350 |
| Rio Grande do Sul (RS) | 2.667.237 | 2.667.057 | 1.102.831 | 1.161.244 |
| Goiás (GO) | 1.938.686 | 1.942.159 | 969.215 | 1.023.484 |
| Santa Catarina (SC) | 1.732.073 | 1.749.323 | 974.081 | 1.034.151 |
| Bahia (BA) | 1.734.845 | 1.723.965 | 1.948.280 | 2.087.890 |
Fonte: SIB/ANS (Setembro/2026).
São Paulo lidera com folga, somando 18,70 milhões de vidas médicas (+283,5 mil no ano) e 12,53 milhões de contratos odontológicos (+881,7 mil).
Em termos proporcionais, contudo, os maiores crescimentos relativos na assistência médica ocorreram fora do eixo Rio-São Paulo: Rio Grande do Norte (+4,63%), Distrito Federal (+3,03%), Espírito Santo (+2,94%), Amazonas (+2,45%) e Tocantins (+2,05%). Na odontologia, as maiores acelerações anuais foram registradas no Maranhão (+15,50%), Distrito Federal (+11,33%) e Piauí (+10,11%).
Desemprego na mínima de 5,2% segura a estabilidade dos planos corporativos
A resiliência das carteiras da saúde suplementar está diretamente atrelada ao cenário de emprego. Como quase três quartos dos beneficiários acessam o plano via contratação corporativa, a geração de vagas formais funciona como o motor do setor.
Os dados da PNAD Contínua (IBGE) para o terceiro trimestre de 2026 confirmam essa sustentação: a taxa de desocupação caiu para 5,2%, o menor nível para o período desde 2012. Com a população ocupada atingindo o recorde de 103,6 milhões de pessoas e o contingente com carteira assinada no setor privado estável em 39,4 milhões, as empresas mantiveram e expandiram seus pacotes de benefícios. É essa conjuntura no mercado de trabalho que explica por que o setor não sofreu perdas líquidas e garantiu a adesão de quase 440 mil vínculos médicos em 12 meses.
Perspectivas: O limite do emprego formal e a guerra por eficiência
O balanço de setembro confirma que a resiliência da saúde suplementar continua umbilicalmente ligada ao mercado de trabalho. Contudo, com a taxa de desocupação já em mínimas históricas (5,2%), o fôlego para o crescimento do setor puramente baseado na criação de novas vagas formais pode estar próximo do seu teto.
Para os próximos trimestres, o desafio das operadoras deixa de ser apenas a captação de novas vidas e passa a ser a gestão da altíssima rotatividade (um turnover que beira os 30% ao ano na medicina). Em um cenário de estabilidade no volume total de usuários, a transferência de market share entre as companhias, evidenciada pelo forte avanço da Amil em contraste com o encolhimento da Hapvida, ditará o ritmo da concorrência.
Crescerá de forma sustentável quem conseguir reter contratos corporativos com inteligência de precificação e rígida governança de caixa.
Importante: Os dados de beneficiários divulgados pela ANS refletem o número de vínculos de indivíduos a planos de saúde, considerando que uma mesma pessoa pode possuir mais de um contrato ativo. Além disso, esses valores estão sujeitos a alterações retroativas em decorrência das revisões efetuadas mensalmente pelas operadoras de saúde nos relatórios de acompanhamento regulatório.

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