A utilização dos serviços na saúde suplementar cresceu em um ritmo muito superior à expansão da carteira de clientes nos últimos anos. Entre 2019 e 2025, o número de beneficiários de planos médico-hospitalares aumentou 11,8%, enquanto a produção assistencial avançou impressionantes 23,2%. Os dados constam do Estudo Especial do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), divulgado em julho de 2026, e evidenciam uma mudança clara: cada usuário está usando mais o plano, com a média saltando de 31,2 procedimentos per capita em 2019 para 34,4 em 2025 (alta de 10,2%).
Para diretores, gestores e analistas da saúde privada, compreender o comportamento desses dados — ajustados em valores absolutos, variações relativas, métricas per capita e corrigidos pelo IPCA — é indispensável para distinguir o crescimento decorrente da simples expansão de novos vínculos daquele gerado pelo aumento na intensidade de utilização dos serviços. A saúde suplementar movimentou o montante recorde de R$ 303,4 bilhões em despesas assistenciais na saúde e atingiu a marca histórica de 52,5 milhões de beneficiários em 2025, consolidando uma relevante reaceleração do setor após o período de moderação verificado entre 2023 e 2024.
Onde esse aumento de uso mais pressiona o caixa?
Ao analisar a composição por grupo assistencial, constata-se que o avanço do uso do sistema ocorreu de forma heterogênea. Nas consultas médicas, observa-se uma migração do modelo ambulatorial para a urgência: enquanto as consultas em consultório recuaram -1,9% desde 2019 (chegando a 217,0 milhões em 2025), as consultas em pronto-socorro cresceram 23,7% no mesmo intervalo (atingindo 71,1 milhões), elevando a participação do PS para 24,6% de todas as consultas médicas do setor. Para os hospitais, essa migração da atenção primária para o pronto-socorro exige estruturas muito mais complexas e caras, pressionando a margem operacional e demandando adaptações estratégicas.
Os exames complementares lideram o volume físico e a expansão do mercado, saltando 33,2% entre 2019 e 2025 (de 0,91 bilhão para 1,23 bilhão) e crescendo 3,9% no último ano. Com isso, a relação média de exames por consulta médica subiu de 3,3 em 2019 para 4,3 em 2025, uma alta de 29% na densidade diagnóstica por atendimento. Já as internações somaram 9,9 milhões em 2025 (+14,0% vs. 2019 e +8,9% vs. 2024), atingindo a marca per capita de 196 internações por 1.000 beneficiários. As terapias apresentaram comportamento instável, com queda acumulada de -11,4% desde 2019, mas forte reação de +6,0% no último ano.
Evolução da Produção Assistencial por Grupo (2019 a 2025)
| Grupo Assistencial | 2019 (Milhões) | 2024 (Milhões) | 2025 (Milhões) | Var. % (19-25) | Var. % (24-25) |
| Consultas Ambulatoriais | 221,1 | 214,5 | 217,0 | -1,9% | +1,1% |
| Consultas Pronto-Socorro | 57,5 | 69,6 | 71,1 | +23,7% | +2,2% |
| Outros Atend. Ambulatoriais | 174,4 | 202,1 | 205,7 | +17,9% | +1,8% |
| Exames Complementares | 921,5* | 1.185,2* | 1.231,5* | +33,2% | +3,9% |
| Terapias | 81,1 | 67,7 | 71,8 | -11,4% | +6,0% |
| Internações | 8,7 | 9,1 | 9,9 | +14,0% | +8,9% |
| Total de Procedimentos | 1.470,2 | 1.750,8 | 1.810,3 | +23,2% | +3,4% |
Fonte: Mapa Assistencial da ANS e SIB/ANS compilados pelo IESS (Julho/2026). *Valores expressos em bilhões no relatório original.
Despesas assistenciais e o descolamento do custo por procedimento
As despesas assistenciais na saúde suplementar somaram R$ 303,4 bilhões em 2025. Em valores reais (convertidos pelo IPCA para preços de dezembro de 2025), o crescimento foi de 19,1% em relação a 2019 (R$ 254,7 bilhões) e de 6,0% frente a 2024 (R$ 286,1 bilhões). O fato de o crescimento acumulado das despesas reais (+19,1%) ter ficado abaixo da expansão do volume de procedimentos (+23,2%) demonstra que a despesa assistencial média por procedimento diminuiu em termos reais no longo prazo, puxada pelo peso dos exames complementares (que possuem baixo custo unitário). No entanto, entre 2024 e 2025, o avanço financeiro real (+6,0%) voltou a superar o ritmo de procedimentos (+3,4%), indicando uma elevação na despesa média por atendimento no curto prazo.
A análise contábil trazida pelo Infográfico 1 do estudo expõe uma assimetria marcante entre o volume físico de atendimento e a distribuição do orçamento financeiro:

- Internações: Respondem por apenas 0,5% do volume de procedimentos, mas absorvem expressivos 42% de todo o gasto assistencial do setor (R$ 128,7 bilhões em 2025, com alta de 10,3% real no último ano). O aumento das despesas com internação foi impulsionado essencialmente pelo maior volume de pacientes internados.
- Exames complementares: Concentram 68% de todos os procedimentos do setor, mas representam 18% do custo financeiro total (R$ 55,9 bilhões em 2025, com leve queda de -1,4% real frente a 2024).
- Terapias: Representam 4% do volume físico, mas absorvem 11% dos custos totais (R$ 34,2 bilhões, alta real de +10,2% no ano e +66,8% vs. 2019). Neste grupo, a despesa assistencial média por procedimento saltou 88,3% no acumulado, demonstrando que a alta de custos foi motivada pelo valor e complexidade dos tratamentos (como quimioterapias e imunobiológicos).
- Demais categorias: Consultas ambulatoriais geraram R$ 26,2 bilhões (9% do total); outros atendimentos ambulatoriais somaram R$ 27,1 bilhões (9% do total); e pronto-socorro gerou R$ 12,0 bilhões (4% do total).
Por beneficiário, o gasto assistencial médio real anual passou de R$ 5,4 mil em 2019 para R$ 5,8 mil em 2025 (+6,5% no acumulado real). Somente entre 2024 e 2025, a despesa per capita cresceu 4,2% em termos reais, um ritmo mais de quatro vezes superior ao registrado entre 2023 e 2024 (+0,9%).
Evolução das Despesas Assistenciais em Valores Reais (R$ bilhões de 2025 – IPCA)
| Grupo Assistencial | 2019 (R$ Bi) | 2024 (R$ Bi) | 2025 (R$ Bi) | Var. Real % (19-25) | Var. Real % (24-25) |
| Consultas Ambulatoriais | 26,7 | 26,5 | 26,2 | -1,7% | -1,0% |
| Consultas Pronto-Socorro | 9,1 | 11,6 | 12,0 | +32,4% | +3,9% |
| Outros Atend. Ambulatoriais | 20,9 | 26,6 | 27,1 | +29,7% | +2,1% |
| Exames Complementares | 51,0 | 56,7 | 55,9 | +9,5% | -1,4% |
| Terapias | 20,5 | 31,0 | 34,2 | +66,8% | +10,2% |
| Internações | 114,3 | 116,7 | 128,7 | +12,6% | +10,3% |
| Demais Despesas Médico-Hosp. | 11,5 | 17,0 | 19,0 | +65,5% | +11,6% |
| Total das Despesas | 254,7 | 286,1 | 303,4 | +19,1% | +6,0% |
Fonte: Mapa Assistencial da ANS compilado pelo IESS (Julho/2026). Valores corrigidos pelo IPCA.
As três fases históricas do setor e as perspectivas estratégicas
A leitura integrada da série do IESS evidencia que a saúde suplementar atravessou três fases distintas após 2019:
- Primeira Fase (2020–2022): Marcada pela retração sanitária e subsequente efeito de demanda reprimida (com alta atípica de +23,6% em procedimentos em 2021).
- Segunda Fase (2023–2024): Moderação gradual e consistente no ritmo de crescimento (onde a produção assistencial cresceu apenas 0,6% em 2024).
- Terceira Fase (2025): Reaceleração simultânea dos três pilares do setor: beneficiários (+1,8%), procedimentos (+3,4%) e despesas assistenciais na saúde (+6,0% reais).
O acompanhamento dos próximos anos-base será essencial para determinar se o fôlego registrado em 2025 consolida uma nova tendência permanente de expansão ou se representa um ajuste pontual do mercado suplementar.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O setor atingiu o recorde histórico de 52,5 milhões de beneficiários em 2025, apresentando um crescimento de 11,8% em relação a 2019 e de 1,8% frente a 2024.
Foram realizados 1,81 bilhão de procedimentos médico-hospitalares (+23,2% vs. 2019 e +3,4% vs. 2024), movimentando R$ 303,4 bilhões em despesas assistenciais na saúde (+19,1% reais vs. 2019 e +6,0% vs. 2024).
Segundo o Infográfico 1 do IESS, as internações correspondem a apenas 0,5% dos procedimentos, mas concentram 42% de todo o gasto assistencial (R$ 128,7 bilhões). Os exames representam 68% dos procedimentos e 18% dos custos (R$ 55,9 bilhões).
O gasto médio real por beneficiário passou de R$ 5,4 mil em 2019 para R$ 5,8 mil em 2025 (+6,5% real acumulado). Entre 2024 e 2025, o avanço real do gasto per capita foi de 4,2%.
O grupo de terapias acumulou uma alta de 88,3% na despesa assistencial média por procedimento entre 2019 e 2025, impulsionado pela complexidade e valor dos tratamentos executados.

Sabemos o quão desafiador pode ser acompanhar todas as notícias e atualizações que surgem diariamente. Nosso objetivo com o XVI News é compartilhar diariamente novidades, perspectivas, desafios e oportunidades que podem afetar a gestão da sua empresa da saúde.
Clique aqui e junte-se a nós.
Há 14 anos construindo o futuro da saúde no Brasil
A XVI surgiu para proporcionar segurança na tomada de decisão e assegurar a viabilidade econômica e financeira em empreendimentos no setor da saúde.
Há mais de 14 anos no mercado, possui um portfólio completo. A atuação engloba desde a Análise de Viabilidade até a Captação de Recursos, desenvolvendo projetos de Planejamento Estratégico, Estruturação de Fundos Imobiliários, Holdings, Assessoria para Aquisição de Empresas (M&A) e Incorporação de Cooperativas.
Se você quer dar o próximo passo com o seu negócio na saúde, clique aqui e fale conosco.