O cenário global de saúde está passando por uma reconfiguração tecnológica e estratégica sem precedentes. A ISPOR (Sociedade Profissional de Economia da Saúde e Pesquisa de Desfechos), autoridade global no tema, acaba de lançar seu aguardado relatório bienal: Top 10 HEOR Trends 2026-2027.
O documento, fruto de uma curadoria estratégica com stakeholders globais, traz uma mudança significativa de prioridades: a Inteligência Artificial (IA) saltou da terceira posição (no relatório anterior) para o 1º lugar, consolidando-se como o vetor de transformação mais crítico para o setor.
Além da liderança da IA, o relatório destaca a estabilização da Evidência de Mundo Real (RWE) e a entrada do Value-Based Healthcare (VBHC) no “pódio” das prioridades.
Abaixo, a XVI Finance analisa detalhadamente as 10 tendências que ditarão os rumos da economia da saúde e da pesquisa de resultados nos próximos dois anos.
O Top 10 das Tendências em Economia da Saúde e Pesquisa de Desfechos (HEOR) para 2026-2027
A lista reflete um momento em que tecnologia, sustentabilidade financeira e centralidade no paciente convergem.
Tabela: Ranking das Tendências ISPOR
| Posição | Tendência | Status vs. Relatório Anterior |
| 1 | Inteligência Artificial (IA) | Subiu (era #3) |
| 2 | Evidência de Mundo Real (RWE) | Caiu (era #1) |
| 3 | Value-Based Healthcare (VBHC) | Novo na lista |
| 4 | Precificação de Medicamentos | Caiu (era #2) |
| 5 | Terapias Inovadoras | Caiu (era #4) |
| 6 | Centralidade no Paciente | Subiu (era #8) |
| 7 | Relevância do HEOR | Novo na lista |
| 8 | Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) | Retornou à lista |
| 9 | Mensuração de Valor | Retornou (era #7) |
| 10 | Saúde Digital | Retornou à lista |
Análise Detalhada dos Principais Destaques
1. Inteligência Artificial: Transformação com Responsabilidade
A IA permeou praticamente todos os aspectos da vida cotidiana e agora lidera a agenda da economia da saúde. O relatório enfatiza não apenas o uso, mas o uso responsável da IA.
- Aplicações: A IA já está acelerando revisões sistemáticas de literatura, estruturando conjuntos de dados complexos e agilizando análises.
- Novas Fronteiras: Modelos de linguagem grande (LLMs) e aprendizado de máquina (Machine Learning) estão sendo usados para prever resultados de ensaios clínicos e otimizar o recrutamento de pacientes.
- Governança: A supervisão humana continua essencial para evitar “alucinações” de dados e garantir que os insights gerados sirvam aos melhores interesses dos pacientes.
2. Evidência de Mundo Real (RWE): Foco na Transparência
Embora tenha caído para a segunda posição, a RWE continua expandindo seu uso regulatório. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) relatou um aumento de 47,5% nos estudos de RWE conduzidos no último período. A tendência agora é aprimorar a disponibilidade, qualidade e transparência desses dados. Iniciativas como o template HARPER (para harmonização de protocolos) e o registro de estudos tornam-se padrões exigidos por agências como o FDA e a EMA para garantir a reprodutibilidade das pesquisas.
3. Value-Based Healthcare (VBHC): Alinhando Incentivos
A grande novidade no Top 3 é a Saúde Baseada em Valor. Embora o conceito não seja novo, ele ganhou urgência devido à pressão global por custos e escassez de mão de obra. O foco está em alinhar incentivos financeiros para que prestadores sejam pagos com base em desfechos de saúde, e não volume. O HEOR (Economia da Saúde e Pesquisa de Desfechos) desempenha um papel fundamental aqui, fornecendo as métricas para quantificar esse “valor”.
4. Precificação de Medicamentos: Acesso e Acessibilidade
Um tema perene, a precificação aparece em 4º lugar. A falta de transparência nos preços continua sendo um desafio global. O relatório destaca a emergência de modelos de precificação baseada em valor, incluindo contratos de compartilhamento de risco e modelos de subscrição (tipo “Netflix”) para garantir acesso a terapias de alto custo.
Outros Movimentos Estratégicos
- Terapias Inovadoras (#5): O foco se mantém em como fomentar tecnologias novas, especialmente para doenças raras, em um cenário de orçamentos restritos. Em 2024, o FDA aprovou 50 novos medicamentos, sendo 26 deles com designação de medicamento órfão.
- Centralidade no Paciente (#6): Subindo duas posições, esta tendência reflete a exigência regulatória de incluir a “voz do paciente” no desenvolvimento de drogas. O uso de wearables (dispositivos vestíveis) ganha destaque para coletar dados de experiência do paciente de forma mais conveniente.
- Relevância do HEOR (#7): Outra novidade na lista. Com a complexidade crescente das decisões em saúde, a disciplina de HEOR (Economia da Saúde e Pesquisa de Desfechos) se torna vital para “cortar o ruído” e fornecer informações baseadas em evidência para pagadores, reguladores e clínicos.
- Avaliação de Tecnologias em Saúde – ATS (#8): De volta ao ranking, a ATS foca agora na otimização da colaboração entre países. O relatório cita a implementação da Regulação de ATS na União Europeia, com avaliações clínicas conjuntas, como um marco para padronizar processos e reduzir a duplicação de esforços, além do uso crescente de IA para dar suporte aos fluxos de trabalho de avaliação.
- Mensuração de Valor (#9): A definição de “valor” está sendo ampliada para incluir o conceito de Saúde Integral (Whole Health). Isso exige que os especialistas em HEOR (Economia da Saúde e Pesquisa de Desfechos) desenvolvam novos métodos para quantificar não apenas desfechos clínicos, mas também fatores sociais, financeiros, ambientais e espirituais que impactam o bem-estar geral do paciente.
- Saúde Digital (#10): Fechando a lista, a saúde digital é impulsionada pela IA. O destaque vai para terapêuticas digitais e o uso de “gêmeos digitais” (digital twins) para modelagem em pesquisas.
O Que Isso Representa para o Setor
O relatório da ISPOR 2026-2027 sinaliza que o setor de saúde está saindo de uma fase de adoção de tecnologia para uma fase de integração e governança.
- Profissionalização da Decisão: A “intuição” clínica ou administrativa perde espaço para dados robustos (RWE) e análises preditivas (IA).
- Sustentabilidade via Valor: A entrada do VBHC no Top 3 indica que a discussão sobre modelos de remuneração deixará de ser teórica para se tornar prática mandatória na busca por eficiência.
- Paciente como Parceiro: A centralidade no paciente deixa de ser apenas um slogan de marketing para se tornar um requisito técnico de pesquisa e aprovação regulatória.
Para a XVI Finance, este panorama reforça a necessidade de as instituições de saúde investirem em infraestrutura de dados e em equipes capazes de interpretar e aplicar métricas de valor econômico e clínico. O futuro pertence a quem conseguir navegar a complexidade dessas novas tecnologias com responsabilidade e foco no desfecho.
FAQ: Tendências de Economia da Saúde e Pesquisa de Desfechos (ISPOR 2026-2027)
Qual é a principal tendência de saúde para os próximos anos?
A Inteligência Artificial (IA) assumiu o 1º lugar no relatório da ISPOR, com foco no seu uso responsável para transformar a pesquisa e a tomada de decisão em saúde.
O que aconteceu com a Evidência de Mundo Real (RWE)?
A RWE caiu para a 2ª posição, mas continua crítica. O foco agora mudou da “adoção” para a “transparência e qualidade” dos dados utilizados em processos regulatórios.
O que é Value-Based Healthcare (VBHC) neste contexto?
Estreando em 3º lugar na lista, o VBHC foca no alinhamento de incentivos financeiros dos sistemas de saúde para priorizar desfechos clínicos (valor) em vez de volume de serviços.
Quais são as novidades na lista de tendências?
Além do VBHC (#3), a “Relevância do HEOR” (#7) é um tema novo. Também retornaram à lista a “Avaliação de Tecnologias em Saúde” (#8), “Mensuração de Valor” (#9) e “Saúde Digital” (#10).
Como a precificação de medicamentos é abordada?
Ocupando o 4º lugar, a tendência destaca a necessidade de melhorar o acesso e a acessibilidade, com foco em modelos inovadores de precificação, como contratos de risco e modelos de subscrição.

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