Os beneficiários de planos de saúde superaram a marca expressiva de 2 bilhões de procedimentos assistenciais realizados ao longo de 2025, consolidando uma elevação de 3,7% na comparação direta com o volume total registrado no ano anterior. Este montante massivo engloba todas as categorias assistenciais reguladas, incluindo consultas médicas, exames complementares, sessões de terapias, internações hospitalares e procedimentos odontológicos estruturados.
Os dados foram divulgados oficialmente pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no painel do Mapa Assistencial da Saúde Suplementar, revelando um panorama de forte expansão no volume de atendimentos e uma severa pressão de custos sobre a cadeia suplementar nacional. Este avanço contínuo na utilização global dos serviços assistenciais reflete diretamente as transformações demográficas, as mudanças no perfil epidemiológico e o comportamento de consumo da população assistida no país.
Para as diretorias financeiras, gestores e investidores que acompanham de perto o mercado de planos de saúde, a compreensão profunda desse ecossistema e de seus respectivos direcionadores de volume é um pilar vital para identificar os gargalos de custos e desenhar estratégias operacionais eficientes. A tomada de decisão baseada em dados reais, como os disponibilizados pelo órgão regulador nacional, passa a ser o diferencial definitivo para assegurar o reequilíbrio contábil e a sustentabilidade de longo prazo das companhias diante de um cenário de alta utilização de mercado.
A evolução histórica da produção assistencial nos planos de saúde de 2019 a 2025
A análise aprofundada da série histórica de longo prazo evidencia as flutuações e o amadurecimento do setor assistencial desde o período pré-pandemia até o cenário atual. Em 2019, o ecossistema registrava um total de 1,65 bilhão de procedimentos assistenciais, volume que sofreu uma retração drástica em 2020 para 1,33 bilhão de eventos em decorrência das restrições sanitárias agudas provocadas pela pandemia de Covid-19. A partir de 2021, iniciou-se um ciclo consistente de recuperação e demanda represada, com o setor saltando para 1,62 bilhão de atendimentos, seguido por 1,80 bilhão em 2022 e 1,93 bilhão de registros em 2023. Ao cruzar esses dados históricos até o teto de 2 bilhões mapeado em 2025, observa-se que a aceleração estrutural do mercado de planos de saúde responde a uma demanda contínua de procedimentos.
Dentro dessa matriz assistencial, os exames ambulatoriais se mantêm de forma isolada como o grupo com maior representatividade em volume na cadeia de planos de saúde, respondendo por mais de 60% de toda a produção assistencial informada pelas operadoras. No ano de 2025, foram contabilizados 1,23 bilhão de exames ambulatoriais, indicando um crescimento consolidado de 3,9% em comparação ao ano anterior. Paralelamente, o segmento de procedimentos odontológicos apresentou uma evolução bastante expressiva, totalizando 203,7 milhões de registros assistenciais no painel, o que aponta um avanço real de 6,7% em base anual quando confrontado com os dados consolidados do ano de 2024.
Evolução Histórica dos Procedimentos Realizados em Valores Absolutos
| Grupo de procedimento ou Evento | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
| Consultas Médicas | 279.111.485 | 204.164.967 | 234.808.215 | 264.680.075 | 275.319.816 | 284.537.382 | 288.723.718 |
| Outros Atendimentos Ambulatoriais | 174.388.464 | 133.455.761 | 153.635.555 | 177.674.173 | 196.654.753 | 202.109.318 | 205.679.393 |
| Exames | 922.832.205 | 776.981.141 | 995.857.159 | 1.097.650.282 | 1.175.522.286 | 1.183.543.656 | 1.229.498.796 |
| Terapias | 81.083.057 | 54.965.970 | 62.210.864 | 66.764.973 | 79.942.607 | 67.744.183 | 71.801.575 |
| Internações | 8.692.555 | 7.347.426 | 7.726.851 | 8.767.533 | 9.188.091 | 9.098.082 | 9.910.860 |
| Procedimentos Odontológicos | 185.597.884 | 154.329.678 | 172.671.463 | 184.536.844 | 196.204.642 | 190.874.005 | 203.733.493 |
| Total | 1.651.705.950 | 1.331.244.943 | 1.626.910.107 | 1.800.073.880 | 1.932.872.195 | 1.937.906.626 | 2.009.347.835 |
O comportamento das despesas reais e o impacto financeiro estrutural nos planos de saúde
Uma das principais inovações trazidas nesta edição do Mapa Assistencial da ANS é a apresentação detalhada da evolução das despesas assistenciais divididas em valores nominais e corrigidas pelo índice oficial de inflação. Na comparação direta com o ano fiscal de 2024, a despesa assistencial agregada do setor registrou um avanço de 11% em termos nominais. Contudo, quando esse montante financeiro é devidamente deflacionado e corrigido pela variação acumulada do IPCA, a alta real observada cai para 6,6%. Essa divergência de indicadores evidencia o peso real do encarecimento dos serviços e dos insumos de alta complexidade médica, que avançam acima da inflação média de mercado e desafiam diretamente as margens das operadoras de planos de saúde.
Para mitigar distorções causadas pelo crescimento natural da população assistida ao longo do tempo, o painel do órgão regulador prioriza o monitoramento detalhado da utilização dos serviços por beneficiário individual. Essa metodologia de frequência por usuário permite comparações técnicas muito mais precisas e revela se o aumento das despesas nos planos de saúde decorre unicamente de uma carteira maior ou de uma mudança real no comportamento de uso. No período completo analisado entre 2019 e 2025, o comportamento da produção assistencial nos planos de saúde foi profundamente marcado pelos impactos da pandemia, que provocou uma retração brusca e generalizada em todos os segmentos em 2020. A partir de 2021, contudo, o setor engatou uma trajetória de recuperação e crescimento contínuo.
Esse movimento fez com que quase todas as categorias de procedimentos, como consultas médicas, exames, internações e atendimentos odontológicos chegassem a 2025 com volumes significativamente superiores aos de 2019, registrando apenas oscilações pontuais de um ano para o outro ao longo do caminho e tendo as terapias ambulatoriais como a única exceção que terminou o período abaixo do patamar pré-pandemia.
Análise de Variação Absoluta da Produção Assistencial (2019 vs 2024 vs 2025)
| Grupo de procedimento ou Evento | 2019 | 2024 | 2025 | Variação 2025 vs 2019 | Variação 2025 vs 2024 |
| Consultas Médicas | 279.111.485 | 284.537.382 | 288.723.718 | +3,44% | +1,47% |
| Outros Atendimentos Ambulatoriais | 174.388.464 | 202.109.318 | 205.679.393 | +17,94% | +1,76% |
| Exames | 922.832.205 | 1.183.543.656 | 1.229.498.796 | +33,23% | +3,88% |
| Terapias | 81.083.057 | 67.744.183 | 71.801.575 | -11,44% | +5,98% |
| Internações | 8.692.555 | 9.098.082 | 9.910.860 | +14,01% | +8,93% |
| Procedimentos Odontológicos | 185.597.884 | 190.874.005 | 203.733.493 | +9,77% | +6,73% |
| Total | 1.651.705.950 | 1.937.906.626 | 2.009.347.835 | +21,65% | +3,68% |
O impacto das internações hospitalares e dos exames ambulatoriais nos custos dos planos de saúde
O principal direcionador de custos severos identificado no balanço do ano está concentrado no grupo de internações hospitalares, que apresentou a maior elevação proporcional entre todas as categorias assistenciais do setor. As internações saltaram de 9,09 milhões em 2024 para 9,90 milhões de registros consolidados em 2025, estabelecendo uma expressiva alta de 8,9% em apenas doze meses. O dado mais relevante para a análise financeira de mercado reside no profundo paradoxo contábil desse indicador: embora as internações representem apenas uma fatia milimétrica de 0,49% do volume total da produção assistencial anual, elas concentraram sozinhas o montante massivo de 41,9% de todas as despesas assistenciais globais registradas no ecossistema de planos de saúde.
Na ponta oposta do volume, os exames ambulatoriais continuam batendo recordes crônicos de utilização por indivíduo. Em 2025, a média de exames ambulatoriais por usuário atingiu a marca de 23,5 utilizações por beneficiário, consolidando o maior patamar histórico de toda a série iniciada em 2019, quando a média situava-se em 19,8 exames. Da mesma forma, a frequência média de internações gerais alcançou o pico de 0,196 por usuário, superando as taxas pré-pandemia. Em contrapartida direta, as médias de utilização de consultas médicas em 5,5, terapias ambulatoriais em 1,4 e procedimentos odontológicos em 5,3 por beneficiário mantêm-se abaixo dos níveis de utilização apurados em 2019, apontando uma transformação estrutural no comportamento da atenção à saúde corporativa.
Análise detalhada das especialidades médicas e procedimentos de alta complexidade nos planos de saúde
O desdobramento dos dados por especialidades médicas e procedimentos específicos revela comportamentos agudos de custos e variações epidemiológicas marcantes dentro das redes credenciadas. As consultas médicas gerais somaram 288,7 milhões em 2025 (alta de 1,5% vs 2024), com a média de utilização por usuário permanecendo estagnada em 5,5 eventos. No recorte das especialidades, as consultas em clínica médica apresentaram uma retração expressiva de 20,4% em relação a 2024, muito embora essa continue sendo, de forma isolada, a especialidade médica mais procurada pelos usuários de planos de saúde. Em sentido oposto, a endocrinologia obteve um crescimento de 5,9% no volume total de consultas, liderando a taxa de expansão entre as áreas clínicas analisadas pelo regulador.
No ambiente de alta complexidade hospitalar, as internações cirúrgicas registraram um crescimento consolidado de 11,8% no ano, impulsionadas principalmente por procedimentos de alto custo voltados ao tratamento de doenças cardiovasculares crônicas. O painel destaca os avanços expressivos nos implantes de marcapasso, que cresceram 15,1% em doze meses, e nos implantes de cardiodesfibrilador implantável (CDI), cujo volume saltou severos 20,2% em base anual. No segmento materno-infantil, as internações em UTI neonatal apresentaram elevação de 19,4% frente a 2024, estabelecendo um forte contraste com o comportamento das internações pediátricas por beneficiário, que registraram uma redução real de -2,2% no mesmo período.
A linha de oncologia também representou um dos principais focos de pressão contábil nos balanços das operadoras de planos de saúde. As internações hospitalares decorrentes de neoplasias apresentaram uma elevação agregada de 15,7% em 2025, com aumentos agudos nos tratamentos de câncer de próstata (+22,6%), câncer de mama feminino (+19,7%) e câncer de colo de útero (+15,8%). Alinhado a isso, os procedimentos de quimioterapia sistêmica por beneficiário registraram expansão de 17,1% no período assistencial. No suporte multiprofissional, as consultas com terapeutas ocupacionais subiram 7,5% e com fonoaudiólogos avançaram 2,8%, enquanto os atendimentos com fisioterapeutas encolheram -5,1%. Por fim, a média de procedimentos odontológicos por beneficiário fechou em 5,3 (alta de 2,9% em 2025), mas segue bem abaixo da média de 6,6 atendimentos observada em 2019.
O impacto e o significado prático dos novos indicadores para o mercado de saúde
A transição para os novos parâmetros assistenciais consolida o setor de Saúde Suplementar como um mercado movido por demandas estruturais resilientes, mas que exige das lideranças corporativas uma rigidez cirúrgica na governança de liquidez e no controle de custos operacionais. O fato de as internações hospitalares absorverem sozinhas 41,9% de todas as despesas assistenciais do ecossistema, mesmo correspondendo a menos de 0,5% da produção física anual, prova que a inflação médica é puxada prioritariamente pelo custo dos eventos de alta complexidade e pela severa incorporação tecnológica hospitalar, e não apenas pelo volume bruto de consultas ou procedimentos ambulatoriais de rotina.
Diante desse cenário contábil pressionado por eventos de alto custo, a sustentabilidade da Saúde Suplementar depende diretamente do aprimoramento da gestão e do planejamento de toda a cadeia. O crescimento de 6,6% nas despesas assistenciais já corrigidas pela inflação reforça a necessidade de uma tomada de decisão estritamente orientada por dados. Para os gestores de hospitais, clínicas e operadoras de planos de saúde, o verdadeiro desafio reside em interpretar com precisão essas oscilações de frequência e custos reais, utilizando as informações oficiais para otimizar os processos assistenciais, aperfeiçoar políticas internas e garantir o equilíbrio econômico-financeiro das organizações.
Esclarecendo as principais dúvidas sobre a dinâmica de utilização dos planos de saúde
Os beneficiários realizaram um total consolidado de 2 bilhões de procedimentos assistenciais ao longo do ano de 2025. Esse montante representa uma elevação de 3,7% em comparação com a produção física registrada em 2024.
As internações hospitalares respondem pelo maior peso financeiro do setor suplementar. Apesar de corresponderem a apenas 0,49% do volume total de procedimentos físicos, as internações concentraram sozinhas expressivos 41,9% de todas as despesas assistenciais agregadas das operadoras de planos de saúde.
A endocrinologia obteve a maior taxa de crescimento entre as consultas médicas analisadas, com expansão de 5,9% frente ao ano anterior. Na linha de diagnósticos, os exames ambulatoriais bateram recorde histórico, atingindo a média de 23,5 utilizações por beneficiário.
As despesas assistenciais totais apresentaram um salto nominal de 11% em relação ao ano fiscal de 2024. No entanto, quando ajustadas pelo IPCA para neutralizar os efeitos da inflação oficial do país, o crescimento real apurado foi de 6,6%, evidenciando o encarecimento estrutural de materiais e procedimentos de alta complexidade.
O monitoramento da frequência de uso por beneficiário permite acompanhar o comportamento real de consumo assistencial ao longo dos anos, neutralizando distorções estatísticas provocadas por oscilações ou pelo crescimento no tamanho da população assistida no mercado de planos de saúde.

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