Demanda reprimida: Pesquisa aponta espaço para novos modelos de planos de saúde

O debate sobre a diversificação de produtos na saúde suplementar, muitas vezes limitado por questões regulatórias e institucionais, ganha agora um novo e robusto capítulo. Em um cenário de recorde de beneficiários em 2025 e da recente regulação dos “cartões de desconto” pela ANS, a nova Pesquisa Vox Populi / IESS traz um diagnóstico claro: o consumidor brasileiro está aberto a modelos de planos de saúde mais acessíveis e segmentados.

Para a XVI Finance, os dados revelam que o setor possui uma vasta demanda potencial que permanece reprimida por barreiras financeiras, sugerindo que o redesenho de modelos assistenciais pode ser a chave para a sustentabilidade e expansão do mercado nos próximos anos.

Planos Restritos como Porta de Entrada

O dado mais emblemático do levantamento é o sinal verde para a criação de planos com cobertura focada em diagnóstico e atenção primária. Segundo o estudo, 38% dos não beneficiários afirmam que fariam adesão a um plano de saúde mais barato, com cobertura restrita exclusivamente a consultas e exames, sem incluir internações ou cirurgias.

Essa disposição indica que o mercado busca uma alternativa intermediária aos planos completos, hoje pressionados por custos elevados.

Tabela 1: Intenção de Adesão a Planos Restritos (Consultas e Exames)

Percepção do ConsumidorPercentual de Respostas
Com certeza teria15%
Provavelmente teria23%
Soma (Intenção Positiva)38%
Poderia ter (depende das condições)24%
Provavelmente não teria10%
Com certeza não teria26%
Não sabe / Não respondeu2%

 (Fonte: Pesquisa Vox Populi / IESS 2025)

Desejo de Ter um Plano vs. A Barreira do Preço

A pesquisa desmitifica a ideia de que a população fora do sistema privado rejeita o conceito de plano de saúde. Pelo contrário: 61% dos não beneficiários declaram que gostariam de ter um plano. O principal entrave é estritamente econômico.

Entre os motivos citados por quem não possui cobertura atualmente, o preço alto e a falta de condições financeiras dominam as respostas.

Tabela 2: Principais Motivos para Não Ter Plano de Saúde (Não Beneficiários)

Motivo CitadoPercentual
O preço é muito alto / caro53%
Não tem condições financeiras49%
Tem outros gastos prioritários17%
Utiliza o tratamento gratuito pelo SUS12%

(Fonte: Pesquisa Vox Populi / IESS 2025 – Resposta múltipla)

Apesar da barreira de custo, a valorização do serviço permanece em patamares históricos: mais de 85% dos não beneficiários consideram ter um plano de saúde algo de grande importância.

Satisfação e Fidelidade em Níveis Históricos

Para as instituições que já operam no setor, os dados trazem otimismo quanto à retenção. A satisfação geral dos beneficiários atingiu seu melhor índice na série histórica, chegando a 85%.

A fidelização também segue a tendência de alta. O índice que agrupa satisfação, recomendação e intenção de continuar no plano atingiu 80% em 2025, com destaque para o crescimento de 5 pontos percentuais na categoria de “alta fidelidade” em relação a 2021.

Tabela 3: Evolução do Índice de Fidelização (2015 – 2025)

Ano da PesquisaAlta FidelidadeFidelidadeÍndice de Fidelização (Soma)
201517%50%67%
201724%48%72%
201927%46%73%
202120%58%78%
202525,3%54,3%80,0%

(Fonte: Pesquisa Vox Populi / IESS 2025)

Tendências Digitais e Transparência de Dados

O estudo também mapeou o comportamento digital do paciente. Embora 60% usem a internet para buscar informações de saúde (sendo 90% via Google), a confiança é cautelosa: 85% não confiam plenamente nos dados obtidos virtualmente.

Sobre o Prontuário Eletrônico, há uma aceitação positiva de 67%, porém ainda existe um déficit de informação: 41% dos beneficiários ainda não conhecem o sistema. O principal receio em relação à integração de dados é o vazamento de informações pessoais (57%).

O Que Isso Representa para o Setor

Para a XVI Finance, os resultados da Pesquisa Vox Populi / IESS reforçam que a sustentabilidade da saúde suplementar passa obrigatoriamente pela flexibilização da oferta. O setor atingiu um teto de acessibilidade nos modelos tradicionais.

A abertura de 38% dos não beneficiários para modelos restritos a consultas e exames não deve ser vista como uma precarização, mas como uma estratégia de inclusão e de alívio ao sistema público. O momento regulatório e a percepção de valor do consumidor indicam que o mercado está pronto para novos produtos que equilibrem custo e acesso.


FAQ: Principais Informações da Pesquisa Vox Populi / IESS

Existe demanda para planos de saúde mais simples? Sim. A pesquisa revelou que 38% das pessoas sem plano contratariam modelos restritos a consultas e exames se o preço fosse mais acessível, sem a necessidade de cobertura para cirurgias e internações.

Por que as pessoas não contratam planos de saúde? O desejo existe (61% querem ter um plano), mas o custo é o entrave. 53% dos não beneficiários apontam o preço alto como o motivo principal e 49% afirmam não ter condições financeiras no momento.

Qual é o nível de satisfação de quem já possui plano? A satisfação atingiu o recorde histórico de 85%. Além disso, 88% dos usuários recomendariam seu plano atual para amigos ou familiares.

Como o brasileiro avalia o atendimento virtual (telemedicina)? A satisfação com atendimentos virtuais é elevada, superando 80% na maioria das categorias, como emissão de receitas e consultas por vídeo.

O que os usuários pensam sobre fraudes no setor? Há uma forte consciência ética: 89% consideram fraude a clínica cobrar por exames não realizados e 86% reprovam o empréstimo da carteirinha para terceiros.


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