Risco de Liquidez: Novos dados da ANS sinalizam pressão no capital de giro das instituições de saúde

A atualização mais recente do Painel de Indicadores de Glosa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), referente ao 1º semestre de 2025, traz um diagnóstico financeiro misto e preocupante para os gestores de saúde. Se por um lado houve agilidade nos pagamentos processados, por outro, o setor enfrenta um aumento na retenção de receitas que pode comprometer a saúde financeira das instituições.

A análise detalhada dos números revela que, apesar de uma aparente melhoria na etapa inicial do faturamento, os indicadores de perda real (glosa final) e, principalmente, de represamento de contas (guias sem retorno) pioraram significativamente em relação ao mesmo período de 2024.

Visão Geral: Agilidade no Pagamento vs. Travamento de Receita

O panorama geral do 1º semestre de 2025 mostra que o setor operou com mais velocidade nas contas que foram efetivamente acatadas. O tempo médio de pagamento caiu para 33,61 dias, uma melhoria em relação aos 36,15 dias registrados no primeiro semestre de 2024.

Contudo, essa agilidade no pagamento das contas não se traduziu necessariamente em alívio para o caixa, devido ao aumento das barreiras para o reconhecimento da receita em outras frentes.

Glosa Inicial: Uma Leve Melhora Operacional

A Glosa Inicial mede o volume de rejeições imediatas feitas pelas operadoras durante o processamento das contas. Neste indicador, o mercado apresentou uma leve evolução positiva.

Comparativo do 1º Semestre: Ao compararmos os períodos, nota-se uma redução nas glosas iniciais:

  • 1º Semestre / 2024: 7,48%
  • 1º Semestre / 2025: 7,31%

A queda de 0,17 ponto percentual sugere um aprimoramento nos processos de faturamento dos prestadores ou uma calibragem nas glosas automáticas das operadoras. No entanto, como veremos a seguir, superar a barreira inicial não tem garantido o recebimento final.

Glosa Final: O Aumento da Perda Efetiva

O indicador mais sensível para o resultado financeiro é a Glosa Final, que representa a perda de receita consolidada após as tentativas de recurso. Diferente da etapa inicial, aqui o cenário de 2025 mostra uma deterioração.

Comparativo do 1º Semestre: O volume de glosas não revertidas cresceu no período:

  • 1º Semestre / 2024: 7,00%
  • 1º Semestre / 2025: 7,14%

O aumento para 7,14% indica que, embora menos contas sejam barradas na entrada, a taxa de sucesso dos hospitais e clínicas em reverter essas negativas diminuiu. Isso impacta diretamente a margem, transformando uma receita esperada em prejuízo contábil.

O Ponto Crítico: Pressão no Capital de Giro

O dado que justifica o alerta de risco de liquidez não está nas glosas tradicionais, mas no volume de dinheiro que fica “parado” no sistema. O indicador de Percentual de valor de guias sem retorno após 60 dias sofreu uma escalada alarmante.

Enquanto no 1º semestre de 2024 esse índice era de 6,82%, em 2025 ele saltou para 16,86%.

Isso significa que quase 17% do valor faturado pelos prestadores está ficando represado por mais de dois meses sem uma resposta definitiva da operadora (seja pagamento ou justificativa de glosa). Para um gestor financeiro, isso representa uma lacuna gigantesca no fluxo de caixa projetado, obrigando muitas instituições a recorrerem a capital de terceiros para honrar compromissos de curto prazo.

O Que Isso Representa para o Setor

A combinação de Glosa Final mais alta com Guias Sem Retorno em disparada desenha um cenário desafiador para o segundo semestre.

  1. Gestão de Recebíveis Crítica: O monitoramento do “aging” (envelhecimento) das contas a receber torna-se tão ou mais importante que a gestão de glosas. O dinheiro não está apenas sendo negado; ele está sendo retido.
  2. Blindagem do Caixa: Com 16,86% da receita em compasso de espera, as instituições precisam rever suas políticas de provisão e capital de giro para evitar rupturas de liquidez.
  3. Eficiência nos Recursos: O aumento da Glosa Final exige uma auditoria de contas mais técnica e assertiva, focada na prevenção da glosa administrativa, que costuma ser a mais difícil de reverter.

Para a XVI Finance, os novos dados da ANS reforçam a necessidade de profissionalização extrema no Ciclo de Receita. Em um cenário onde a margem é comprimida por custos crescentes, permitir que quase 17% do faturamento fique travado por ineficiência de processo é um risco que nenhuma instituição de saúde pode correr.

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