O setor de saúde suplementar no Brasil apresenta uma consolidação da participação feminina, acompanhada por transformações significativas no perfil de utilização dos serviços. Conforme o estudo especial “Análise do Mapa Assistencial da ANS”, elaborado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e divulgado em outubro de 2025, as mulheres mantêm a maioria nos planos de assistência médica, influenciando diretamente as tendências de consumo e prevenção no setor.
Em dezembro de 2024, o Brasil contabilizava 52,06 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares. Deste total, as mulheres representavam 52,8%, o equivalente a 27,5 milhões de vidas.
A atualização mais recente do estudo aponta que, entre agosto de 2024 e agosto de 2025, o segmento feminino manteve sua trajetória de crescimento:
- 27,9 milhões de beneficiárias em agosto de 2025.
- Crescimento de 2,4% no período (acréscimo de 664,7 mil vínculos).
Perfil da Beneficiária: Onde Estão e Como Contratam
A análise demográfica e contratual revela a forte dependência do setor em relação ao mercado de trabalho formal e a concentração econômica.
- Concentração Regional: A região Sudeste concentra 59,0% das beneficiárias. O estado de São Paulo lidera com 9,8 milhões, seguido por Rio de Janeiro (3,06 milhões) e Minas Gerais (3,05 milhões).
- Tipo de Contratação: A maioria absoluta dos vínculos femininos (69,6%) provém de planos coletivos empresariais, totalizando 19,4 milhões de mulheres.
- Envelhecimento da Carteira: Entre dezembro de 2019 e dezembro de 2024, a faixa etária que mais cresceu foi a de 60 anos ou mais (+18,2%), evidenciando o impacto da transição demográfica no perfil de custos das operadoras.
Evolução Assistencial (2019-2024): Prevenção e Mudança de Hábitos
O estudo do IESS analisou a produção assistencial ao longo de cinco anos, destacando mudanças de comportamento e possíveis gargalos no rastreamento de doenças.
Planejamento Reprodutivo e Contracepção
Houve uma mudança clara em direção a métodos contraceptivos de longa duração, em detrimento da frequência de consultas obstétricas tradicionais, alinhada à queda na taxa de fecundidade do país (1,55 filho por mulher em 2022).
| Procedimento | Variação Acumulada (2019-2024) | Análise |
| Implante de DIU | +33,1% | Crescimento expressivo na adesão a métodos de longa duração. |
| Consultas Ginecologia/Obstetrícia | -12,0% | Queda na razão de consultas (de 1,4 para 1,2 por beneficiária), refletindo a menor natalidade. |
| Laqueadura Tubária | +66,9% | Aumento significativo na taxa de esterilização cirúrgica. |
O Alerta na Prevenção Oncológica
Enquanto a mastologia (especialidade focada na mama) viu um aumento nos atendimentos, os exames de rastreamento apresentaram quedas preocupantes no comparativo de cinco anos, sugerindo uma lenta retomada das rotinas preventivas pós-pandemia.
Câncer de Mama e Colo do Útero
- Consultas em Mastologia: Crescimento de 2,9% entre 2019 e 2024.
- Mamografia (50 a 69 anos): Queda de 11,8% na faixa etária prioritária.
- Exame Papanicolau (25 a 59 anos): Retração de 18,4%, indicando menor cobertura no rastreamento do câncer de colo de útero.
- Internações Cirúrgicas (Mama): Queda de 16,7%, o que pode estar associado a diagnósticos mais precoces ou terapias menos invasivas, reduzindo a necessidade de cirurgias complexas.
O Cenário dos Partos na Saúde Suplementar
A via de parto no setor privado continua apresentando índices distantes das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estipula uma taxa ideal de cesarianas entre 10% e 15%.
Em 2024, a distribuição dos partos na saúde suplementar foi:
- Parto Cesáreo: 79,8%.
- Parto Normal: 20,2%.
Apesar da predominância da cesariana, houve uma redução geral no volume de partos, reflexo direto da queda na natalidade:
- Queda nos Partos Cesáreos: -27,9% entre 2019 e 2024.
- Queda nos Partos Normais: -9,2% no mesmo período.
O Que Isso Representa para o Setor
Os números levantados pelo IESS desenham um cenário de transformação estrutural para a saúde suplementar.
- Desafio da Prevenção: A queda nos exames de rastreamento (mamografia e Papanicolau) acende um alerta para as operadoras. A redução na detecção precoce pode resultar em diagnósticos tardios de câncer, elevando a sinistralidade futura e a complexidade dos tratamentos.
- Transição Demográfica e Custos: O crescimento de 18,2% na faixa etária acima de 60 anos exige das instituições de saúde modelos de cuidado focados em doenças crônicas e na saúde da mulher idosa.
- Eficiência no Cuidado Materno: Embora os partos tenham diminuído, a taxa de cesarianas permanece elevada (79,8%). Políticas de incentivo ao parto normal continuam sendo uma oportunidade de melhoria na qualidade assistencial e na eficiência de custos.
Para a XVI Finance, estes dados reforçam a necessidade de gestão estratégica focada em medicina preventiva. O investimento na retomada dos exames de rastreamento e em programas de planejamento familiar não é apenas uma questão de saúde pública, mas de sustentabilidade financeira para as instituições do setor.
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