A sustentabilidade de uma empresa no setor de saúde suplementar pode ser a linha tênue entre um crescimento exponencial e uma estagnação perigosa. Em um mercado com mais de 52 milhões de vidas e um cenário de juros elevados, a pressão por inovação, expansão e eficiência operacional nunca foi tão intensa. Mas como financiar essa jornada?
Com a recente decisão do COPOM de manter a taxa SELIC em 15% ao ano, o debate sobre a estrutura de capital ideal para hospitais, operadoras e clínicas se torna ainda mais urgente. A boa notícia é que, mesmo em um ambiente de crédito mais caro, o mercado financeiro oferece um leque de soluções inteligentes para quem precisa de fôlego para investir ou reestruturar suas finanças.
Mais do que uma simples necessidade, a captação de recursos com terceiros é uma decisão estratégica. Neste conteúdo, vamos detalhar 3 motivos fundamentais que tornam essa estratégia indispensável, especialmente agora. Ao final, temos um convite especial para você.
1. O Custo do Capital: A Matemática a Favor do seu Negócio (Mesmo com Juros Altos)
O primeiro pilar de uma captação inteligente é puramente matemático: o capital de terceiros, mesmo em um cenário de juros altos, continua sendo mais barato que o capital próprio.
Com a taxa básica de juros (SELIC) em 15%, o custo de oportunidade do capital dos sócios dispara. Estudos acadêmicos e análises de mercado demonstram consistentemente que o Brasil figura entre os países com maior custo de capital do mundo. Fatores como o risco-país e a volatilidade econômica fazem com que a exigência de retorno sobre o capital próprio se eleve drasticamente, podendo superar 20% ao ano para compensar o risco do setor. Usar esse capital para financiar projetos significa arcar com um custo altíssimo.
Agora, vamos analisar o capital de terceiros. Uma instituição de saúde com bom histórico de crédito pode conseguir uma dívida corporativa a uma taxa de, por exemplo, 18% ao ano (SELIC + spread de 3%).
À primeira vista, 18% parece muito próximo dos 20% do capital próprio. Mas aqui entra o grande trunfo: o benefício fiscal. As despesas com juros são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda (IRPJ) e da CSLL. Considerando uma alíquota combinada de 34%, o custo efetivo da dívida cai drasticamente.
Cálculo do Custo Efetivo: Custo da Dívida × (1 – Alíquota de Imposto) 18% × (1 – 0,34) = 11,88% ao ano
A comparação agora é gritante: financiar um projeto com um custo efetivo de 11,88% é imensamente mais vantajoso do que usar um capital próprio que “custa” mais de 20%. Em um cenário de juros altos, essa diferença se torna a principal alavanca para viabilizar projetos de expansão e modernização.
2. A Dupla Pressão: Restrição de Caixa e Urgência por Investimentos
O período pós-pandemia deixou desafios permanentes: sinistralidade elevada, necessidade de capital de giro e pressão regulatória da ANS. O cenário de juros altos agrava essa situação, pois o custo do dinheiro para o dia a dia aumenta e o caixa que a empresa já tem poderia estar rendendo muito mais em aplicações financeiras.
Neste contexto, gerar caixa exclusivamente pela operação para financiar grandes investimentos se torna quase impossível. A sustentabilidade depende de escala e eficiência, e ambas exigem capital para:
- Expansão da capacidade: Atender à demanda crescente de uma população que envelhece.
- Incorporação tecnológica: Adotar prontuários eletrônicos, IA e equipamentos de ponta que reduzem custos assistenciais no longo prazo.
- Adequação Regulatória: Cumprir as exigências de capital da ANS sem comprometer a liquidez.
Recorrer a fontes externas de financiamento permite que a instituição realize os investimentos imediatos, com prazos de pagamento alongados, fazendo com que os próprios projetos gerem os resultados necessários para quitar o financiamento.
3. Reestruturação de Dívida: Trocando Custo por Prazo e Eficiência
Muitas instituições de saúde carregam dívidas antigas com bancos, frequentemente atreladas ao CDI, que acompanha de perto a SELIC. Com a taxa em 15%, o serviço dessas dívidas se torna um fardo pesado no fluxo de caixa.
A captação de recursos via mercado de capitais é a solução mais poderosa para a reestruturação desse passivo. A estratégia é trocar dívidas caras e de prazo curto, que sufocam o caixa, por instrumentos mais inteligentes e de longo prazo.
As Operações como a emissão de Notas Comerciais (NCs) permitem acessar investidores com apetite por prazos maiores (acima de 10 anos) e, muitas vezes, com custos estruturados de forma mais previsível do que o CDI flutuante.
Outras estruturas de fundos de investimento oferecem soluções sob medida. Um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), por exemplo, permite antecipar recebíveis futuros (como pagamentos de planos de saúde), transformando vendas a prazo em caixa imediato e aliviando a necessidade de capital de giro. Já um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) viabiliza operações como o Sale and Leaseback (SLB). Esse, por sua vez, permite a uma instituição vender seu imóvel para o fundo e seguir operando no local como locatária, gerando uma grande injeção de liquidez.
Essa reestruturação não é apenas um alívio para o caixa, é um movimento estratégico que melhora os indicadores financeiros e libera o potencial de crescimento da empresa.
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Entender por que captar recursos neste cenário é o primeiro passo. O próximo é saber como. Cada um dos instrumentos que mencionamos possui características que se encaixam em diferentes realidades empresariais.
Se esses desafios e oportunidades fazem parte do seu dia a dia como gestor na área da saúde, temos um convite especial. No dia 02 de outubro (quinta-feira), às 10h, faremos um evento online, exclusivo e gratuito sobre Captação de Recursos Estratégicos para o Setor de Saúde.
A apresentação será do Dr. Adriel Branco, Sócio e Diretor de Gestão da XVI, ao vivo em nosso canal no YouTube. Neste encontro, ele irá detalhar cada uma dessas modalidades, apresentar casos de sucesso e mostrar o caminho para estruturar a operação de captação ideal para a sua instituição, mesmo em um cenário de juros desafiador.
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