Saúde Suplementar mantém leve crescimento de vidas em fevereiro

O mercado de saúde suplementar brasileiro demonstrou resiliência e fôlego em fevereiro de 2026. Após as flutuações sazonais típicas do início do ano, os dados mais recentes divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revelam que o setor voltou a crescer, se aproximando da marca de quase 53 milhões de beneficiários em assistência médica.

Em fevereiro de 2026, os números oficiais registrados foram:

  • 52.972.156 beneficiários em planos de assistência médica.
  • 35.695.676 beneficiários em planos exclusivamente odontológicos.

Assistência Médica: Expansão Contínua e Recordes Anuais

Diferente do movimento de ajuste observado no mês anterior, fevereiro trouxe um saldo positivo. O segmento médico-hospitalar registrou um leve crescimento de 36.410 usuários em relação a janeiro (variação positiva de 0,07%).

O dado mais robusto, entretanto, surge na comparação anual: frente a fevereiro de 2025, o setor expandiu em 1.028.835 beneficiários, um crescimento sólido de 1,98%. Esse avanço mostra que, apesar dos desafios macroeconômicos, a saúde suplementar mantém uma trajetória de expansão ininterrupta no longo prazo.

Planos Odontológicos: O Destaque da Variação Mensal

O segmento exclusivamente odontológico continua sendo o motor de maior velocidade de crescimento proporcional no setor. Em apenas 30 dias, foram adicionados 266.637 beneficiários (alta de 0,82% frente a janeiro).

Ao olharmos para o acumulado de 12 meses, a performance é ainda mais expressiva: um aumento de 1.282.660 usuários, representando uma evolução de 4,26% no período.

Performance Regional: Crescimento em Todas as UFs

Um dado extremamente positivo de fevereiro de 2026 é que houve evolução no número de beneficiários médicos em todas as 27 unidades federativas na comparação anual.

Tabela: Evolução por Estado (Destaques Absolutos – Fev/25 vs Fev/26)

Unidade Federativa (UF)Beneficiários (Fev/26)Crescimento Absoluto (12m)Variação % (12m)
São Paulo (SP)18.636.171~272.000+1,48%
Minas Gerais (MG)5.893.152~95.000+1,63%
Rio de Janeiro (RJ)5.564.708~102.000+1,87%
Distrito Federal (DF)1.031.775+56.570+5,79%
Santa Catarina (SC)2.385.400+78.500+3,41%
Paraná (PR)3.095.800+74.300+2,46%

Em números absolutos, o Sudeste (SP, RJ, MG e ES) somado ao Distrito Federal liderou o volume de novas vidas na assistência médica, enquanto SP, RJ e Paraná foram os destaques do segmento odontológico.

Destaques por Operadora: Quem Lidera a Expansão de Vidas

A análise do trimestre móvel entre dezembro e fevereiro, baseada em dados da ANS compilados pelo BTG Pactual e divulgados pelo portal O Globo, revela quais operadoras estão ganhando a “corrida” por beneficiários em 2026. A Amil e a Bradesco Saúde despontam como as líderes em crescimento no período.

Tabela: Evolução por Operadora de Saúde (Fev/26)

Operadora de SaúdeVariação de Vidas (Saldo Líquido)Principais Mercados de Destaque
Amil+43.000São Paulo e Rio de Janeiro
Bradesco Saúde+41.000Crescimento Consolidado
Unimed Seguros+20.000Expansão de Carteira
Porto Saúde+16.000Crescimento Orgânico
SulAmérica+7.000Saldo Positivo
Hapvida-59.000São Paulo e Pernambuco (Perda) / Rio (Positivo)

A Amil aumentou em 43 mil sua carteira de beneficiários, impulsionada pelo avanço das operações em São Paulo e no Rio de Janeiro, enquanto a Bradesco Saúde acrescentou 41 mil novos clientes no mesmo período.

Na sequência, outras operadoras que apresentaram saldo positivo no trimestre foram a Unimed Seguros, com um acréscimo de 20 mil vidas, seguida pela Porto Saúde com 16 mil e pela SulAmérica com 7 mil novos vínculos.

Na outra ponta, o destaque foi a Hapvida, maior operadora de saúde do país, que registrou uma redução de 59 mil vidas entre dezembro e fevereiro. Segundo o relatório, as perdas da Hapvida concentraram-se nos mercados de São Paulo e Pernambuco, embora o desempenho no Rio de Janeiro tenha ficado positivo.

A Força dos Planos Coletivos Empresariais

A dependência do setor em relação ao mercado de trabalho formal continua se intensificando. Os planos coletivos empresariais, que são o foco de muitas estratégias corporativas, ganharam ainda mais relevância.

Tabela: Distribuição por Tipo de Contratação (Fev/26)

Tipo de ContrataçãoAssistência Médica (Vidas / %)Exclusivamente Odontológico (Vidas / %)
Coletivo Empresarial38.722.645 (73,1%)26.696.533 (74,8%)
Individual ou Familiar8.475.545 (11,76%)5.856.883 (16,4%)
Coletivo por Adesão5.773.966 (10,9%)3.142.260 (8,8%)

A força dos planos coletivos empresariais segue como o principal motor do setor, com sua participação subindo de 72,1% para 73,1% nos planos médicos no acumulado de 12 meses. No segmento odontológico, o salto foi ainda mais expressivo, saindo de 71,6% para 74,8%.

Esse movimento consolida o benefício dentário como uma peça-chave nas estratégias de retenção de talentos das empresas brasileiras, enquanto as modalidades individuais e por adesão, embora com rotatividade menor, completam o cenário de assistência e oferecem caminhos distintos de sustentabilidade para as operadoras no país.

Turnover e Rotatividade no Setor

A movimentação de carteiras em fevereiro foi intensa. O saldo positivo na assistência médica foi fruto de 1.080.315 adesões contra 1.043.905 cancelamentos.

  • Taxa de Rotatividade Mensal: 1,97%.
  • Taxa de Rotatividade 12 meses: 28,30%.

É notável que a rotatividade nos planos empresariais (32,82%) é significativamente superior aos planos individuais (11,76%), o que reflete a dinâmica de admissões e demissões do mercado de trabalho.

Correlação Econômica: Desemprego vs. Saúde Suplementar

Uma análise profunda exige cruzar os dados da ANS com os indicadores de emprego do IBGE. Em fevereiro de 2026, a taxa de desemprego no Brasil subiu para 5,8% (vinda de 5,4% em janeiro).

Historicamente, um aumento no desemprego costuma pressionar o número de beneficiários para baixo, dado que 73% dos planos são empresariais. No entanto, em fevereiro, observamos o oposto: o setor cresceu. Por que isso aconteceu?

  1. Renda Recorde: O rendimento médio real atingiu R$ 3.679, o maior da série histórica, aumentando o poder de permanência das famílias.
  2. Sazonalidade do Setor Público: Segundo o IBGE, a alta na desocupação foi puxada pelo fim de contratos temporários em educação e saúde pública na virada do ano. Como esses vínculos muitas vezes não possuem plano de saúde privado, o impacto no setor suplementar foi mitigado.
  3. Estabilidade no Setor Privado: O número de empregados com carteira assinada (39,2 milhões) manteve-se estável, preservando a base principal de usuários de planos médicos.

O Que Isso Representa para o Mercado

A retomada gradual do crescimento do número de vidas em fevereiro, mesmo com um leve aumento sazonal no desemprego, confirma que o plano de saúde é o benefício mais desejado e priorizado pelo brasileiro. Para as operadoras, o cenário indica um mercado de base estável, mas com altíssima rotatividade, exigindo estratégias eficientes de retenção e gestão de custos para manter a sustentabilidade operacional.

Atenção: Os números divulgados pela ANS podem sofrer alterações retroativas devido às revisões efetuadas mensalmente pelas operadoras. Esta análise baseia-se nos dados consolidados disponíveis na Sala de Situação até o momento.


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