Neste 4 de março, Dia Mundial da Obesidade, o setor de saúde suplementar recebe um alerta que vai além da saúde pública: o risco real de insustentabilidade financeira. Segundo dados do estudo do IESS sobre registros de obesidade e consultas nutricionais, a obesidade consolidou-se como um vetor de demanda crônica que, entre 2015 e 2024, registrou um crescimento acumulado de 108% na taxa de eventos relacionados à doença.
O Crescimento Exponencial da Prevenção
O dado mais impressionante da análise é o salto na utilização de consultas com nutricionistas. Enquanto a taxa de registros de eventos de obesidade cresceu de forma consistente, as taxas de consultas ambulatoriais com nutricionistas por 100 mil beneficiários cresceram 2.353% no total acumulado do período, especialmente após 2022. Este movimento sinaliza uma mudança de comportamento do beneficiário, mas também levanta um alerta sobre a necessidade de modelos assistenciais integrados e contínuos.
Radiografia da Obesidade na Saúde Suplementar (2015-2024).
Os dados do estudo mostram que a obesidade atinge de forma desproporcional diferentes perfis demográficos, com um aumento intensificado a partir de 2020.
Evolução das Taxas de Obesidade (CID Principal)
- Mulheres: Passaram de 55 para 128 eventos por 100 mil beneficiárias, um aumento acumulado de 132% entre 2015 e 2024
- Homens: O crescimento foi mais moderado, passando de 24 para 36 por 100 mil, correspondendo a um aumento de aproximadamente 47%.
| Gênero | 2015 | 2024 | Aumento Acumulado |
| Mulheres | 55 | 128 | 132% |
| Homens | 24 | 36 | 47% |
Explosão das Consultas Nutricionais (por 100 mil beneficiários).
O crescimento da utilização de serviços ambulatoriais com nutricionistas foi massivo entre 2015 e 2024, com um pico pós 2022. A análise revela que esse crescimento foi intensificado por um fator regulatório, a decisão da ANS de permitir consultas ilimitadas com nutricionistas, o que elevou a pressão assistencial sem necessariamente garantir desfechos clínicos de longo prazo:
- Mulheres: As taxas passaram de 304 para 7.465 consultas por 100 mil beneficiárias (+2.359%).
- Homens: O aumento ocorreu de 149 para 3.667 por 100 mil (+2.361%).
- Destaque por idade: Adultos de 20 a 59 anos tiveram crescimento de 2.316%, enquanto o grupo de 60 anos ou mais teve o maior crescimento, passando de 157 para 4.291 consultas (+2.640%).
| Segmento | 2015 | 2024 | Crescimento (+) |
| Mulheres | 304 | 7.465 | +2.359% |
| Homens | 149 | 3.667 | +2.361% |
| Adultos (20–59 anos) | 282 | 6.809 | +2.316% |
| Idosos (60+ anos) | 157 | 4.291 | +2.640% |
A “Virada Farmacológica”: GLP-1 e a Sustentabilidade.
A incorporação da farmacoterapia de alto custo trouxe eficácia imediata, mas também um desafio de retorno sobre o investimento (ROI). Evidências apontam que a interrupção do tratamento com agonistas de GLP-1 leva ao retorno ao peso basal em apenas 1,5 a 2 anos.
Mais preocupante ainda é a velocidade dessa perda de resultado: o reganho de peso pós-farmacoterapia ocorre em ritmo mais acelerado do que em intervenções puramente comportamentais. Sem um modelo de cuidado que integre o medicamento a mudanças estruturais de hábito, o capital investido na medicação é drenado pelo ciclo do reganho.
Desafios para a Gestão Financeira e Clínica:
- Alto Custo: O uso prolongado de terapias de alto custo redefine padrões de gasto e exige avaliação criteriosa de custo-efetividade.
- Manutenção Limitada: Intervenções isoladas, sejam nutricionais ou farmacológicas, mostram eficácia limitada para a manutenção da perda de peso no longo prazo.
- Necessidade de Modelos Integrados: O sucesso depende de estratégias multiprofissionais que combinem prevenção, cuidado especializado e monitoramento longitudinal.
Análise XVI Finance: O Papel dos Dados na Gestão.
A análise deixa claro que o fortalecimento do uso de dados assistenciais é determinante para orientar decisões regulatórias e organizar linhas de cuidado sustentáveis. Para a XVI Finance, a integração de estratégias, a medicina preventiva e o uso racional de tecnologias farmacológicas com base em evidências são essenciais para garantir que a capacidade de pagamento do sistema não seja comprometida por tratamentos de curto prazo sem acompanhamento contínuo.
FAQ Estratégico: Obesidade e Saúde Suplementar
Qual foi o crescimento das taxas de obesidade entre mulheres na saúde suplementar? Entre 2015 e 2024, a taxa cresceu 132%, passando de 55 para 128 eventos por 100 mil beneficiárias.
Quanto cresceu a utilização de nutricionistas no período analisado? A utilização cresceu de forma acelerada, com aumentos superiores a 2.300% tanto para homens quanto para mulheres.
Qual o risco principal da interrupção do tratamento com GLP-1? A descontinuação está associada a evidências robustas de reganho ponderal rápido, o que exige um monitoramento longitudinal e estratégias não farmacológicas integradas.
Qual grupo de idade teve o maior crescimento em consultas nutricionais? Indivíduos com 60 anos ou mais lideraram o aumento, com um crescimento de 2.640% nas consultas entre 2015 e 2024.

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